E 2003 se foi. “Fecho encerro reverbero aqui me fino aqui me zero não canto não conto não quero anoiteço desprimavero” (Haroldo de Campos). Como todos os anos, foi uma época plural, multicolor. Muitas felicidades, alguma tristeza. No final, um saldo totalmente positivo, ainda mais porque há esperança.
Algumas pessoas não vêem nada demais no ano novo. Realmente, analisando racionalmente, nada mais é que uma mudança de datas. Mas tais mudanças podem – e devem – ser proveitosas. Se o mês foi difícil, é bom dizer algo como “ainda bem que agosto acabou, o próximo mês vai ser bem melhor” . A mudança de data serve para isso, para deixar as mazelas no passado, encarar como finito um período ruim, para que um novo ciclo se inicie.
Se o período foi bom, melhor. “Ai, tomara que todos os anos sejam como esse”, é algo que se pode dizer. “Eu não vivo no passado, o passado vive em mim” (Paulinho da Viola).
Há problemas? Pode ser que sim, posso estar idealizando demasiadamente a “mudança de datas”. Segundo Contardo Caligaris, “Na passagem de ano, em suma, a dificuldade está em lidar com os restos do ano que acaba (e dos que o antecederam). Por desgastados e puídos que sejam, não são tirados de nossas costas pela simples defenestração.” Mas o que seria o homem sem a capacidade de sonhar, de traçar planos nem sempre muito concretos, da possibilidade de acreditar em deus, da capacidade de amar? Nem tudo é lógico, explicável, racional.
Da minha feita, a vida segue. E espero que na mesma toada de 2003. Aliás, que seja um prolongamento do que foi iniciado no ano passado, porque planos existem…
FELIZ ANO NOVO PARA TODOS!




