Trilha sonora

15 12 2003


Há algum tempo, fiz dois CDs só com músicas natalinas. Segue a lista das músicas para embalar o período.

CD1
01. White Christmas – Drifters
02. Please Come Home for Christmas – Southside Johnny Lyon
03. If Every Day Was Like Christmas – Elvis Presley
04. All Alone on Christmas – Love, Darlene
05. A Holly Jolly Christmas – Jackson, Alan
06. Somewhere in My Memory – Midler, Bette
07. My Christmas Tree – Home Alone Children
08. Sleigh Ride – TLC
09. Silver Bells – Atlantic Starr
10. The Christmas Song – Nat King Cole
11. Jingle Bell Rock – Helms, Bobby
12. Cool Jerk – Capitols
13. Let It Snow – Dean Martin
14. Have Yourself A Merry Little Xmas – Frank Sinatra
15. O Come All Ye Faithful – Nat King Cole
16. Happy Xmas (War is Over) – John Lennon
17. It’s Beginning to Look a Lot Like Christmas – Mathis, Johnny
18. Do They Know It’s Christmas – Band Aid
19. Let It Snow – Andy Williams
20. Santa Claus Is Coming To Town – Bruce Springsteen (live)
21. Blue Christmas – Elvis Presley
22. Winter Wonderland – Tony Bennett
21. All I Want for Christmas is You – Olivia Olson

CD2
01. Let It Snow – Bing Crosby
02. Santa Claus Is Coming To Town – Nat King Cole
03. This Christmas – Joe
04. Sleigh Ride – Carpenters
05. Silent Night – Nat King Cole
06. It’s The Most Wonderful Time Of The Year – Johnny Mathis
07. Have A Holly Jolly Christmas – Burl Ives
08. Rudolph The Rednosed Reindeer – Gene Autry
09. Grandma Got Run Over By A Reindeer – Elmo & Patsy
10. Rockin’ Around The Christmas Tree – Brenda Lee
11. Little Saint Nick – The Beach Boys
12. Merry Christmas Darling – Carpenters
13. Special Gift – Isley Brothers
14. Little Drummer Boy – David Bowie/Bing Crosby
15. Wonderful Christmastime – Paul McCartney
16. Away In A Manger – Mannheim Steamroller
17. Deck The Halls – Ottmar Liebert
18. Somewhere in My Memory – John Williams





Trilha sonora

15 12 2003


Há algum tempo, fiz dois CDs só com músicas natalinas. Segue a lista das músicas para embalar o período.

CD1
01. White Christmas – Drifters
02. Please Come Home for Christmas – Southside Johnny Lyon
03. If Every Day Was Like Christmas – Elvis Presley
04. All Alone on Christmas – Love, Darlene
05. A Holly Jolly Christmas – Jackson, Alan
06. Somewhere in My Memory – Midler, Bette
07. My Christmas Tree – Home Alone Children
08. Sleigh Ride – TLC
09. Silver Bells – Atlantic Starr
10. The Christmas Song – Nat King Cole
11. Jingle Bell Rock – Helms, Bobby
12. Cool Jerk – Capitols
13. Let It Snow – Dean Martin
14. Have Yourself A Merry Little Xmas – Frank Sinatra
15. O Come All Ye Faithful – Nat King Cole
16. Happy Xmas (War is Over) – John Lennon
17. It’s Beginning to Look a Lot Like Christmas – Mathis, Johnny
18. Do They Know It’s Christmas – Band Aid
19. Let It Snow – Andy Williams
20. Santa Claus Is Coming To Town – Bruce Springsteen (live)
21. Blue Christmas – Elvis Presley
22. Winter Wonderland – Tony Bennett
21. All I Want for Christmas is You – Olivia Olson

CD2
01. Let It Snow – Bing Crosby
02. Santa Claus Is Coming To Town – Nat King Cole
03. This Christmas – Joe
04. Sleigh Ride – Carpenters
05. Silent Night – Nat King Cole
06. It’s The Most Wonderful Time Of The Year – Johnny Mathis
07. Have A Holly Jolly Christmas – Burl Ives
08. Rudolph The Rednosed Reindeer – Gene Autry
09. Grandma Got Run Over By A Reindeer – Elmo & Patsy
10. Rockin’ Around The Christmas Tree – Brenda Lee
11. Little Saint Nick – The Beach Boys
12. Merry Christmas Darling – Carpenters
13. Special Gift – Isley Brothers
14. Little Drummer Boy – David Bowie/Bing Crosby
15. Wonderful Christmastime – Paul McCartney
16. Away In A Manger – Mannheim Steamroller
17. Deck The Halls – Ottmar Liebert
18. Somewhere in My Memory – John Williams





All I Want for Christmas is You

15 12 2003

I don’t want a lot for Christmas
There is just one thing I need
I don’t care about the presents
Underneath the Christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true…
All I want for Christmas is
You… yea yea

I don’t want a lot for Christmas
There is just one thing I need
(and I) Don’t care about presents
Underneath the Christmas tree
I don’t need to hang my stocking
There upon the fireplace
Santa Claus won’t make me happy
With a toy on Christmas day
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas is you
You baby

Oh I won’t ask for much this Christmas
I won’t even wish for snow
(and I) I’m just gonna keep on waiting
Underneath the mistletoe
I won’t make a list and send it
To the North Pole for Saint Nick
I won’t even stay awake to
Hear those magic reindeer click
‘Cause I just want you here tonight
Holding on to me so tight
What more can I do
Baby all I want for Christmas is you
You baby

All the lights are shining
So brightly everywhere (so brightly yea)
And the sound of children’s
Laughter fills the air
And everyone is singing (oh yea)
I hear those sleigh bells ringing
Santa won’t you bring me the one I really need -
won’t you please bring my baby to me…

Oh I don’t want a lot for Christmas
This is all I’m asking for
I just want to see my baby
Standing right outside my door
Oh I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Baby all I want for Christmas is
You (You) baby

All I want for Christmas is you baby… (repeat)





Vale a pena escutar de novo

15 12 2003


Há várias coletâneas sendo lançadas. Há quem seja contra porque vê isso como um caça-níquel, uma tentativa desesperada de ganhar dinheiro (ou ressuscitar carreiras) etc. Bem, geralmente é até verdade (ainda mais quando colocam umas duas músicas inéditas só para o fã comprar), mas muitas vezes serve de primeiro contato para a obra de um artista. E há várias boas: Stone Temple Pilots (Thank You), Red Hot Chili Peppers (Greatest Hits), Counting Crows (eu adoro essa banda, viu!), Tori Amos (Tales of a Librarian: A Tori Amos Collection), Michael Jackson (Number Ones), Eagles (The Very Best Of), R.E.M. (In Time), Sheryl Crow, Pet Shop Boys (Popart), Bruce Springsteen (Essential), Vangelis (Definitive Collection), Elvis Presley (2nd to None) etc. Recomendo todas (nem que você vá baixar da Internet).





Memória

15 12 2003

“O passado é um outro país” (L.P. Hartley). Enquanto certas pessoas colecionam selos, discos, artefatos vários, eu guardo (boas) memórias. Até porque, como diz Jorge Luís Borges, “somos ao mesmo tempo e a cada instante aquilo que já fomos e aquilo que um dia seremos.” No último mês, já “cataloguei” vários momentos para recordar… “Eu não vivo no passado, o passado vive em mim” (Paulinho da Viola).





Vítima intelectual…

15 12 2003


Quem dita hoje o que deve ou não ser escutado é a imprensa inglesa. E tudo isso por causa do que se chama “novo rock”. Isso foi a salvação, aliás. O periódico Melody Maker foi para o saco antes do “movimento”… A New Music Express estava fadada ao mesmo destino. Grupos outrora líderes de venda, como Oasis, estavam cada vez menos fazendo sucesso (o britpop, enfim, chegava ao fim). A NME teve uma sobrevida com o surgimento de bandas como Travis, Coldplay e Starsailor. A impressa musical, desesperada, tentou taxar o som de bandas tão diversas com o rótulo de “new acoustic”. Felizmente, o rótulo não pegou.

Tudo mudou com o surgimento do “novo rock”. Bandas que já tinham uma carreira no underground (White Stripes) e outras que nem disco tinham (como Strokes) foram jogadas no mesmo saco e alardeadas como salvadoras do rock. De lá para cá, já surgiram várias outras, como Yeah Yeah Yeah, Raptures, Hot Hot Heat etc. Como diriam os Titãs, “a melhor banda de todos os tempos da última semana”. O único ponto de interseção entre tais grupos é que reciclam idéias antigas.

Muitas vezes apenas duas ou três músicas de um álbum inteiro de tais bandas são relevantes, mas todo o disco é laureado. Muitas dessas bandas, se não fossem por toda a atenção da mídia, não teriam destaque nenhum. Fora desse contexto, não dariam em nada (em alguns casos seria uma pena, outras nem tanto).

A imprensa inglesa tem muitos méritos (foi ela que alardeou em grande escala o talento de Bob Dylan). Exemplos como esse existem aos montes. Entretanto, ultimamente se optou por um jornalismo deslumbrado, de muitos adjetivos, superlativos… O componente crítico, o olhar mais acurado da realidade, vai cada vez mais perdendo lugar. Isso é tudo, menos jornalismo.

Pessoas, jornalistas gostam de se fazer de entendidos, de descobrir coisas, de vaticinar o que é bom e o que é ruim. É como uma vidente: dos erros das previsões não se fala tanto, mas dos acertos… Exemplo: Eletric 6, antes muito propalado, hoje… O disco, que tem apenas duas músicas boas, cada vez mais vai caindo no esquecimento. Ué, não era uma das bandas mais promissoras? E o que falar do Kings of Leon? Depois de certo alarde inicial, o disco deles vai caindo cada vez mais nas paradas.

Aqui cabe um adendo: eu não estou dizendo que o sucesso comercial é garantia de produto bom, mas muitas das resenhas positivas usam tal justificativa sobre as possíveis qualidades dos grupos.

Para quem acha que estou falando de coisas muito recentes, vamos um pouco mais para trás. Sabe o grupo At the Drive In, outrora chamado de “novo nirvana”? Pois é, acabou. E a banda And You Know Us…? Ninguém fala mais (apesar de ter lançado um disco não faz tanto tempo assim). E o Interpol, não ia estourar?

Houve um tempo que Belle e Sebastian era “o som”. Capa no caderno de cultura da Folha de S. Paulo (inclusive falando sobre o mistério da banda, que não tirava fotos e tal…). Aí, depois veio o fatídico show no Brasil, em que eles cantaram até Caetano Veloso. As resenhas mudaram totalmente: o som do grupo é monocórdio, as letras são tolas etc.

Ademais, invariavelmente, tais sapientes senhores passam a criticar o que logrou sucesso (artístico e/ou comercial). Cito apenas um exemplo: O Linkin Park, quando não fazia sucesso, era descrito como uma das poucas bandas de new metal (ah, esse rótulos…) com qualidade (sobravam elogios também para o Deftones). Depois do sucesso comercial, as críticas foram excessivamente negativas. Já o Deftones, que nunca estourou na mesma proporção, continua com boas resenhas.

Enquanto isso, outros sons não ganham destaque nenhum da mídia, como a música espânica. Café Tacuba é um grande grupo, mas que não ganha uma linha sequer por aqui (com raras e boas exceções). Com isso, joga-se no lixo uma gama de bandas interessantes. De outra feita, um país com a Islândia, de apenas 200 mil habitantes, vira e mexe tem uma banda do momento. Na Inglaterra mesmo algumas bandas nunca recebem grande simpatia da imprensa. Já ouviu falar de grupos como Cave In e Aqualund? Pois é, são interessantes, mas não são tão festejados.

Mas aí você pode retrucar que eu posso gostar de tais sons, mas o gostar é subjetivo, varia de pessoa para pessoa. Concordo plenamente. Entretanto, quando só nos é mostrado um lado, não temos como optar por outros sons. A imprensa está viciada em apenas alguns periódicos (e o que eles dizem todos vão atrás). A pluralidade não é respeitada. Cabe a você, então, garimpar, não se contentar com as mesmas fontes de sempre.

Muitas vezes os jornalistas culturais se movem por manadas. Houve um tempo que era bom descobrir sons de outros países (mas de lingua inglesa). Foi o que fez a sorte de grupos como Hives, Vines, Hellacopters etc. O mesmo se pode dizer do cinema. Já existiu o momento do cinema chinês, iraniano… Atualmente, está em voga o cinema argentino.

As vezes é bom para que se lance luz sobre manifestações artíticas que não viriam a tona comumente. Mas muitas vezes trata-se de um engodo, que tem mais a ver com marketing (leia esse texto sobre Caetano Veloso) do que com qualidade artística.

Hoje, quando há abundância de informação por todos os lados, ser inepto em muitos casos é uma opção. Por isso, sugiro que seja inteligente: não engula tudo que empurram na sua goela abaixo. Tente mastigar antes…
PS – Muito dos grupos citados aqui eu até aprecio, o que varia é a gradação do gostar. O que não gosto, acima de tudo, é do descabido.





100 maneiras…

15 12 2003


Segundo Marcelo Rubens Paiva, “Zeus descobriu a forma da humanidade existir sem insubordinações, enfraquecendo-a, cortando cada ser em dois. Cada metade sentiria saudades da outra. E procurariam sempre se juntar [...]” Pois minha busca acabou, minha outra “banda” é essa aqui.





O impossível carinho

15 12 2003


Manuel Bandeira

Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah, se em troca de tanta felicidade que me dás

Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor-
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!





O impossível carinho

15 12 2003


Manuel Bandeira

Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah, se em troca de tanta felicidade que me dás

Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor-
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!





Menos quer dizer mais

15 12 2003

Logo após assistir ao filme “Irreversível” (Irréversible, França, 2002), me veio à mente uma declaração de Susan Sarandon, explicando porque é contra a pena de morte: “nós temos de combater a violência de forma não violenta“. “Irreversível” é uma película que causa reação física em quem assiste. Não tanto por causa de suas qualidades, mas sim por seus excessos.

Da minha feita, os filmes que são mais bem-sucedidos em relação a chocar são os que transferem o horror para os espectadores, que não mostram, sugerem (caso de “Seven”, “8 Milímetros” etc.). Os que mostram tudo causam repulsa, nojo até. É por isso que Win Wenders fez “O Fim da Violência” (The End of Violence, França, Alemanha, EUA, 1997), um filme que fala sobre a violência, mas sem ser violento.

Acho incoerente um filme que pretende ser uma crítica à violência (nem sei se esse é o caso de “Irreversível”), e abusa dela, como “Assassinos por Natureza” (história de quem? Quentin Tarantino. Depois dizem que eu pego no pé). E nem adianta afirmar em defesa desse tipo de cinema que se trata de violência estilizada. É até pior dessa forma, porque banaliza um assunto tão sério.

Sem falar do sexo mostrado “em excesso”. De certa forma, o cinema francês, que sempre foi mais libertino que os demais, avança cada vez mais nesse sentido. Em 2001, o filme Intimidade (Intimacy) também se mostrava despudorado, com cenas típicas de filme pornô (com participações de astros do cinema erótico, inclusive).

Aliás, falar de um cinema francês hoje em dia soa incorreto. Não há uma tendência, nomes novos… Os grandes cineastas são os de outrora, o cinema de autor já não se faz presente. Parece que, depois de tanto criticar o cinema americano, os cineastas franceses acabaram por desenvolver a síndrome de Estocolmo, em que o seqüestrado se apaixona pelo seu algoz. Grande parte da nova safra de filmes franceses busca o modelo dos filmes americanos (no que ele tem de mais popularesco), quando o correto deveria ser procurar respostas distintas (e mais “inteligentes”). (a culpa é sua, Luc Besson!).

Voltando ao tema desse texto. O pior no caso de “Irreversível” é que ele não se restringe ao sexo, mas sim em misturá-lo com violência. Talvez o filme busque parentesco com o teatrólogo Antonin Artaud (também francês). Artaud é o inventor do “teatro da crueldade”. Segundo o cineasta Walter Salles, trata-se de uma forma de representação pensada não para reconfortar o espectador, mas para sacudi-lo.

Não sou partidário desse pensamento. Ou melhor, já fui, houve um tempo que foi necessária a sua utilização. Era preciso não apenas dizer que o rei estava nu, mas sim mostrá-lo. Os filmes mostravam uma realidade muito colorida, numa época cinza. Entretanto, hoje isso soa desnecessário.

Como bem disse Fernanda Torres, a despeito da peça “A Casa dos Budas Ditosos” (baseada no libidinoso livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro): “Não queremos o caminho do chocante, mas da aproximação, do sentimento. [...] A platéia tem que estar acesa.”

Minha regra básica para saber se um filme “murro-no-estômago” é bom ou não é tirar o conteúdo de choque que há nele. Se sobrar algo de bom, aí sim se trata de um filme realmente interessante. É o caso de “Laranja Mecânica”, “Kids”, “Trainspotting”, “Réquiem para um Sonho” etc. Do contrário, o elemento “violência” acaba sendo um fim em si, e não mais uma característica do filme. Ou seja, descamba para o tipo de cinema feito por Quentin Tarantino, do qual sou ferrenho crítico (apesar de admirar as trilhas sonoras de seus filmes).

O que torna mais complicado um veredicto definitivo sobre “Irreversível” é que tirando as cenas fortes, ainda sobra um bom filme. Faz sentido, por exemplo, o filme ser contado de trás para frente (ainda mais porque o mote do filme é: “o tempo destrói tudo”).

Entretanto, o excesso de violência não é o único senão do filme. O diretor acaba ousando demais, sem pensar num resultado “harmonioso”. Parece que, com cada frame, ele queira dizer “olha como eu sou genial”. As cenas iniciais são corrompidas pelos maneirismos de câmera. É confuso demais. Se fosse usado com comedimento, tudo bem. Mas tudo se arrasta… Acaba resultando num filme para “festival”. Muitas vezes o diretor flerta com o experimentalismo, e acaba resvalando para um “experimentalismo mala”.

Para mim, nem sempre uma idéia nova é uma idéia útil. Como bem diria o grande cineasta Billy Wilder, “é necessário fazer com que a platéia engula o comprimido, mas sem saber que está tomando o medicamento”. No caso de “Irreversível”, o filme se mostra um tratamento de choque. E, como todo tratamento do tipo, o paciente pode morrer antes de conseguir a cura…





SIMBIOSE

15 12 2003


Antonio Cícero

Sou seu poeta só
Só em você descubro a poesia
Que era minha já
Mas eu não via.

Só eu sou seu poeta
Só eu revelo a poesia sua
e à noite indiscreta
você de lua.





Cinema é a maior diversão

15 12 2003


Já tive a fase literária, a musical, a televisiva mas a coisa que mais gosto é, sem dúvida alguma, cinema. Inclusive, já fiz até uma semana temática sobre o assunto. Houve um tempo que o deixei relegado, mas atualmente ele voltou a ocupar o topo do pódio. Evidentemente, ele não ocupa todo o meu tempo, tenho de me dedicar às minhas outras predileções também. Todavia, o destaque é todo dele.

Eu poderia dizer muitas coisas sobre o cinema, mas Luís Fernando Veríssimo já fez o favor de dizer tudo o que sinto: “Não me lembro de nada que tenha me dado tanto e tão constante prazer desde a infância quanto o cinema – incluindo aí mamadeiras, primas e gibis. A segunda melhor coisa que você pode fazer no escuro é ver um filme. A primeira é ver um grande filme. Obrigado, cinema.”

Até algo que me deixa totalmente contrafeito parece estar mudando: olhar o cinema como uma arte “menor”. Sobre a sétima arte, Guillermo Cabrera Infante afirmou: “O cinema é um fenômeno narrativo curioso. É superior à literatura. Não é um romance, mas narra como um romance. Não é uma coleção de pinturas e fotografias, mas contém também fotografias e pinturas. O cinema é a invenção do século 20.”

O cineasta Jean Luc Godard tem uma bela definição do que venha a ser um bom filme: “Há dois níveis de conteúdo em um filme: o visível, e o invisível. O que se põe à frente da câmera é o visível. Se não há nada além disso, está-se fazendo televisão. Os verdadeiros filmes, para mim, são aqueles que contêm algo invisível. Algo que pode ser discernido por entre o visível, e só pode ser sentido porque essa parte visível foi pensada de uma maneira específica”.

E como se fazer um bom filme? Ao ser argüido por um estudante, o cineasta Jean Pierre Melville respondeu: “50%, a história, 50%, os atores, 50%, a direção de arte, 50%, a fotografia. 50%, a montagem, e assim por diante. E se um desses elementos der errado, você acaba de ferrar 50% do seu filme“.

Por que estou escrevendo tudo isso? Certa vez, no seriado Dawnson’s Creek, a personagem principal, que também compartilha do mesmo fascínio que eu tenho pelo cinema, ao ser argüido porque gostava tanto de filmes, respondeu que “não somos nós que escolhemos nossas paixões, elas que nos escolhem”. Sendo assim, ainda bem que você me escolheu, cinema.





O reizinho gay

15 12 2003


(Hilda Hilst)

Mudo, pintudão
O reizinho gay
Reinava soberano
Sobre toda a nação.

Mas reinava
APENAS
Pela linda peroba
Que se lhe adivinhava
Entre as coxas grossas.
Quando os doutos do reino
Fizeram-lhe perguntas
Como por exemplo
Se um rei pintudo
Teria o direito
De somente por isso
Ficar sempre mudo
Pela primeira vez
Mostrou-lhe a bronha
Sem cerimônia.

Foi um Oh!!! Geral
E desmaios e ais
E doutos e senhoras
Despencaram nos braços
De seus aios.
E de muitos maridos
Sabichões e bispos
Escapou-se um grito.
Daí em diante
Sempre que a multidão
Se mostrava odiosa
Com a falta de palavras
Do chefe da Nação
O reizinho gay
Aparecia indômito
Na rampa ou na sacada
Com a bronha na mão
E eram ós agudos
Dissidentes mudos
Que se ajoelhavam
Diante do mistério
Desse régio falo
Que de tão gigante
Parecia etéreo

E foi assim que o reino
Embasbacado, mudo
Aquietou-se sonhando
Com seu rei pintudo.
Mas um dia,
Acabou-se da turba a fantasia.
O reizinho gritou
Na rampa e na sacada
Ao meio-dia:
Ando cansado
De exibir meu mastruço
Pra quem nem é russo.
E quero sem demora
Um buraco negro
Pra raspar meu ganso.
Quero um cu cabeludo!
E foi assim
Que o reino inteiro
Sucumbiu de susto.
Diante de tal evento,
Desse reino perdido
Na memória dos tempos
Só restaram cinzas
Levadas pelo vento.

Moral da estória:
A palavra é necessária diante
do absurdo.





Contrapasso no movimento

15 12 2003


“Meu trabalho todo é contra a inércia, a busca do contrapasso no movimento”. A frase é ator Paulo José, 66, portador do mal de Parkinson.

O ator, que voltou aos palcos com a peça “Na Solidão dos Campos de Algodão”, falou, ainda jovem, dos seus anseios com o grupo Teatro de Equipe: “Não somos diletantes. Estamos em teatro porque temos necessidade de nos expressarmos. Buscamos dar nossa contribuição ao homem através do teatro, não para distrai-lo, mas para humanizá-lo.”

Uma frase dele me chamou mais a atenção: “Se você não tem desejo, você não é, não existe“.





Trecho

15 12 2003

“As Tardes com Cães Danados” Ladram de largos espelhos esses cães de pedra e mormaço de lume e arame farpado. Ladram quentes e mordem e inflamam os calcanhares do vento. E sobre os relógios pairam ameaçando-lhes de silêncio.”
De “Geografia Íntima do Deserto“,
de Micheliny Verunschk





Trecho

15 12 2003

“As Tardes com Cães Danados” Ladram de largos espelhos esses cães de pedra e mormaço de lume e arame farpado. Ladram quentes e mordem e inflamam os calcanhares do vento. E sobre os relógios pairam ameaçando-lhes de silêncio.”
De “Geografia Íntima do Deserto“,
de Micheliny Verunschk





Um homem ri

15 12 2003


Ferreira Gullar

Ele ria da cintura para cima. Abaixo
da cintura, atrás, sua mão
furtiva
inspecionava na roupa
Na frente e sobretudo no rosto, ele ria,
expelia um clarão, um sumo
servil
feito uma flor carnívora se esforça na beleza da corola
na doçura do mel
Atrás dessa auréola, saindo
dela feito um galho, descia o braço
com a mão e os dedos
e à altura das nádegas trabalhavam
no brim azul das calças
(como um animal no campo na primavera
visto de longe, mas
visto de perto, o focinho, sinistro,
de calor e osso, come o capim do chão)
O homem lançava o riso como o polvo lança a sua tinta e foge
Mas a mão buscava o cós da cueca
talvez desabotoada
um calombo que coçava
uma pulga sob a roupa
qualquer coisa que fazia a vida pior





Especial

15 12 2003

Para quem estava com saudade dos especiais, hoje começa a semana de poesias eróticas (ou sensuais). Para começar, duas poesias eróticas de Carlos Drummond de Andrade, que revelam uma faceta um tanto quanto desconhecida do autor. Ambos os poemas são do livro “O Amor Natural“, que Drummond teve receio de lançar em vida, deixando para os seus descendentes a publicação. A outra poesia é de Hilda Hilst (sem comentários).

A outra porta do prazer
Carlos Drummond de Andrade

A outra porta do prazer,

porta a que se bate suavemente,

seu convite é um prazer ferido a fogo

e, com isso, muito mais prazer.

Amor não é completo se não sabe

coisas que só amor pode inventar.

Procura o estreio átrio do cubículo

aonde não chega a luz, e chega o ardor

de insofrida, mordente

fome de conhecimento pelo gozo.

Sugar e ser sugado pelo amor
Carlos Drummond de Andrade

Sugar e ser sugado pelo amor

no mesmo instante boca milvalente

o corpo dois em um gozo pleno

que não pertence a mim nem te pertence

um gozo de fusão difusa transfusão

o lamber o chupar o ser chupado

no mesmo espasmo

é tudo boca boca boca boca

sessenta e nove vezes boquilíngua.





O anão triste

15 12 2003


Hilda Hilst

De pau em riste
O anão Cidão
Vivia triste.
Além do chato de ser anão
Nunca podia
Meter o ganso na tia
Nem na rodela do negrão.
É que havia um problema:
O porongo era longo
Feito um bastão.
E quando ativado
Virava… a terceira perna do anão.
Um dia… sentou-se o anão triste
Numa pedra preta e fria.
Fez então uma reza
Que assim dizia:
Se me livrasses, Senhor,
Dessa estrovenga
Prometo grana em penca
Pras vossas igrejas.
Foi atendido.
No mesmo instante
Evaporou-se-lhe
O mastruço gigante.
nenhum tico de pau
Nem bimba nem berimbau
Pra contá o ocorrido.
E agora
Além do chato de ser anão
Sem mastruço nem fole
Foi-se-lhe todo o tesão.
Um douto bradou: Ó céus!
Por que no pedido que fizeste
Não especificaste pras Alturas
Que lhe deixasse um resto?
Porque pra Deus
O anão respondeu
Qualquer dica
É compreensão segura.
Ah, é, negão? Então procura.

E até hoje
Sentado na pedra preta
O anão procura as partes pudendas…
Olhando a manhã fria.

Moral da história:
Ao pedir, especifique tamanho
Grossura quantia.





Miss Misery

15 12 2003

E o cantor Elliot Smith faleceu. Para a maioria, creio eu, era uma pessoa desconhecida. Para mim, era uma pessoa próxima. Vai fazer falta.

Miss Misery
Elliot Smith
I’ll fake it through the day
With some help from Johnny Walker Red
Send the poison rain down the drain
To put bad thoughts in my head
Two tickets torn in half
And a lot of nothin’ to do
Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do

A man in the park
Read the lines in my hand
Told me I’m strong
Hardly ever wrong I said
“Man you mean–”

You had plans for both of us
That involved a trip out of town
To a place I’ve seen in a magazine
That you’d left lyin’ around

I don’t have you with me
But I keep a good attitude
Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do

I know you’d rather see me gone
Than to see me the way that I am
But I am in your life any way

Next door the T.V.’s flashing
Blue frames on the wall
It’s a comedy of errors you see
It’s about taking a fall

To vanish into oblivion
It’s easy to do
And I tried to leave but you know me
I come back when you want me to.

Do you miss me, Miss Misery
Like you say you do