Un homme et une femme

15 09 2004

Hoje começo uma série de ensaios sobre os equívocos do amor. Nada a ver com minha situação, que vai muito bem. Atendo o pedido de uma amiga, que gostaria que eu versasse sobre o assunto.

Amores brutos – ensaios

Parte 1 – A idealização do amor

O amor é um sentimento, ou seja, algo abstrato. Todavia, é necessário que seja calcado em coisas reais. Do contrário, não passará de palavras sem raízes. Afetuosidade, respeito, atenção. Palavras que só ganham sentido quando praticadas. Assim é o amor (que se vale dessas palavras que citei e muitas outras).

Há aqueles que admiram os talentos de uma pessoa, e não especificamente o parceiro. Ele é um bom músico, um profissional maravilhoso, um escritor de talento, um cineasta de visão… Como namorado, deixa a desejar, mas isso é apenas a parte de um todo, mesmo sendo essa lacuna o fator que faz alguém dizer (realmente) “eu te amo”. “Se é verdade que o amor nunca morre, por que os amantes se esforçam tanto para continuarem?” (“Please Sister”, Cardigans).

Outras vêem os defeitos do parceiro como um desafio. Ele não sabe demonstrar seus sentimentos, mas com o tempo vou fazê-lo perder esse medo. Ele é mulherengo? Vou fazê-lo ser devoto apenas do meu amor. Ele bebe em excesso, fuma, usa drogas… Isso tudo vai mudar. O meu amor será a sua redenção. “E agora, que será de nós sem bárbaros? Essa gente, apesar de tudo, era uma solução“. (Konstantinos Kaváfis, em “À Espera dos Bárbaros”).

Há quem apenas justifique os erros e os aceite. Ele é assim porque sofreu na infância. O pai traía muito a mãe dele, por isso ele não me respeita. Conclusão equivocada: quem ama, sente por completo. Com todas as imperfeições inclusas. “Eu aprendi que a alegria/ de quem está apaixonado/ é como a falsa euforia/ de um gol anulado” (Aldir Blanc).

Todavia, a maior causa de amores sem amor é a solidão. Aquela pessoa que, por razões diversas, não namora há um bom tempo ou que sofreu demais num relacionamento passado. Muitas vezes descarrega uma gama de sonhos em alguém que mal conhece. “E quando chove aqui/ Chove tão forte/ Mas nunca forte o bastante para lavar embora o desespero/ Vou trocar meu amor de hoje por um amor maior amanhã” (“The home front”, Billy Bragg). Em pouco tempo, já está dizendo “eu te amo”. Nada mais inócuo que isso. Por estar tanto tempo sem ninguém, há uma grande quantidade de sentimento acumulado. Sentido, mas não vivido. De certa forma, o amor precede o ser amado.

O pior é que se pode investir nessas “mentiras” durante muito tempo. Podem perdurar para sempre. E, mesmo quando acaba, não há garantia que as “lições” serão aprendidas. Alguns podem maldizer o amor, afirmar que ele não existe, que isso é ilusão de românticos. Outros vão investir sempre, mas com a emoção eclipsando a razão.

Vidas arruinadas pelo amor, mas vividas sem amor. Príncipe com cavalo branco? Somos nós mesmo que criamos…





Un homme et une femme

15 09 2004

Hoje começo uma série de ensaios sobre os equívocos do amor. Nada a ver com minha situação, que vai muito bem. Atendo o pedido de uma amiga, que gostaria que eu versasse sobre o assunto.

Amores brutos – ensaios

Parte 1 – A idealização do amor

O amor é um sentimento, ou seja, algo abstrato. Todavia, é necessário que seja calcado em coisas reais. Do contrário, não passará de palavras sem raízes. Afetuosidade, respeito, atenção. Palavras que só ganham sentido quando praticadas. Assim é o amor (que se vale dessas palavras que citei e muitas outras).

Há aqueles que admiram os talentos de uma pessoa, e não especificamente o parceiro. Ele é um bom músico, um profissional maravilhoso, um escritor de talento, um cineasta de visão… Como namorado, deixa a desejar, mas isso é apenas a parte de um todo, mesmo sendo essa lacuna o fator que faz alguém dizer (realmente) “eu te amo”. “Se é verdade que o amor nunca morre, por que os amantes se esforçam tanto para continuarem?” (“Please Sister”, Cardigans).

Outras vêem os defeitos do parceiro como um desafio. Ele não sabe demonstrar seus sentimentos, mas com o tempo vou fazê-lo perder esse medo. Ele é mulherengo? Vou fazê-lo ser devoto apenas do meu amor. Ele bebe em excesso, fuma, usa drogas… Isso tudo vai mudar. O meu amor será a sua redenção. “E agora, que será de nós sem bárbaros? Essa gente, apesar de tudo, era uma solução“. (Konstantinos Kaváfis, em “À Espera dos Bárbaros”).

Há quem apenas justifique os erros e os aceite. Ele é assim porque sofreu na infância. O pai traía muito a mãe dele, por isso ele não me respeita. Conclusão equivocada: quem ama, sente por completo. Com todas as imperfeições inclusas. “Eu aprendi que a alegria/ de quem está apaixonado/ é como a falsa euforia/ de um gol anulado” (Aldir Blanc).

Todavia, a maior causa de amores sem amor é a solidão. Aquela pessoa que, por razões diversas, não namora há um bom tempo ou que sofreu demais num relacionamento passado. Muitas vezes descarrega uma gama de sonhos em alguém que mal conhece. “E quando chove aqui/ Chove tão forte/ Mas nunca forte o bastante para lavar embora o desespero/ Vou trocar meu amor de hoje por um amor maior amanhã” (“The home front”, Billy Bragg). Em pouco tempo, já está dizendo “eu te amo”. Nada mais inócuo que isso. Por estar tanto tempo sem ninguém, há uma grande quantidade de sentimento acumulado. Sentido, mas não vivido. De certa forma, o amor precede o ser amado.

O pior é que se pode investir nessas “mentiras” durante muito tempo. Podem perdurar para sempre. E, mesmo quando acaba, não há garantia que as “lições” serão aprendidas. Alguns podem maldizer o amor, afirmar que ele não existe, que isso é ilusão de românticos. Outros vão investir sempre, mas com a emoção eclipsando a razão.

Vidas arruinadas pelo amor, mas vividas sem amor. Príncipe com cavalo branco? Somos nós mesmo que criamos…





Weblife

15 09 2004

Para espantar o mofo do blog. Os sites de relacionamento estão na moda. E não me refiro às páginas de namoro on-line. É algo bem mais amplo que isso. Primeiro foi a febre do Orkut. É bem interessante, mas tem um serviço que deixa a desejar. Há também o Friendster, com um serviço similar ao Orkut, mas com algumas vantagens. Por exemplo: quando você cita um filme, aparece o link para as pessoas que também listaram a mesma película. Outro bom serviço é o Linked In. Trata-se de um “Orkut” apenas para emprego. Ao contrário do Orkut, ambos os serviços não necessitam de convites de amigos. Todavia, pecam pelo limitado número de pessoas cadastradas.

Fui convidado agora, pela Cora Ronai, a utilizar o Multiply. É muito amplo. É uma espécie de Orkut aditivado. Tem um monte de recursos. É como um controle remoto moderno: você vai tentar utilizar tudo, mas mesmo assim ficará sem saber um monte de funções. É o tipo de site que você tem de utilizar para saber tudo o que ele possui. Você pode criar blog (que pode ser privado, você pode avisar da atualização etc); escrever resenhas; vender coisas; criar um álbum de fotos, calendário etc. E tudo isso com um endereço sucinto: http://seulogin.multiply.com/. Para aprender mais sobre o serviço, clique aqui.





Weblife

15 09 2004

Para espantar o mofo do blog. Os sites de relacionamento estão na moda. E não me refiro às páginas de namoro on-line. É algo bem mais amplo que isso. Primeiro foi a febre do Orkut. É bem interessante, mas tem um serviço que deixa a desejar. Há também o Friendster, com um serviço similar ao Orkut, mas com algumas vantagens. Por exemplo: quando você cita um filme, aparece o link para as pessoas que também listaram a mesma película. Outro bom serviço é o Linked In. Trata-se de um “Orkut” apenas para emprego. Ao contrário do Orkut, ambos os serviços não necessitam de convites de amigos. Todavia, pecam pelo limitado número de pessoas cadastradas.

Fui convidado agora, pela Cora Ronai, a utilizar o Multiply. É muito amplo. É uma espécie de Orkut aditivado. Tem um monte de recursos. É como um controle remoto moderno: você vai tentar utilizar tudo, mas mesmo assim ficará sem saber um monte de funções. É o tipo de site que você tem de utilizar para saber tudo o que ele possui. Você pode criar blog (que pode ser privado, você pode avisar da atualização etc); escrever resenhas; vender coisas; criar um álbum de fotos, calendário etc. E tudo isso com um endereço sucinto: http://seulogin.multiply.com/. Para aprender mais sobre o serviço, clique aqui.





Un homme et une femme

15 09 2004

Amores brutos – ensaios
Parte 2 – O dono da relação

“Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world”
(Everybody Wants to Rule the World, Tears for Fears)


Vivemos uma época de pequenos ditadores, de sanguinários vassalos de diminutas localidades. Nunca o “eu” esteve tão forte e o coletivo tão diminuto. O egoísmo atual deixaria Narciso surpreso. Cada vez mais pensamos no próprio umbigo, deixando para o outro um papel secundário, muitas vezes de subserviência. Criticamos a megalomania de líderes como Bush, mas cometemos atos violentos em nossos reinos privados.


Quantos podem se orgulhar de serem bom chefes? Que são bons comandantes para os seus subalternos? Isso muitas vezes depois de terem ocupado cargos inferiores, de terem criticado a forma autoritária dos superiores, mas quando chegam ao poder… Por que? Porque tem gente que pensa que mandar é ser duro. Tais pessoas nunca saberão a diferença entre ser líder e ser chefe.

É como minha avó falava: “quer conhecer mesmo o caráter de uma pessoa? Dê dinheiro e poder a ela”. O pior é que mesmo sem grandes poderes, todos querem mandar. Ou mandam, mesmo não existindo a concordância do outro.


Essa predominância do “eu” ocorre também nas relações pessoais. Quantos são bons parceiros, se doam de forma altruísta? Poucos, creio eu. A maioria quer ser amada, não amar. Quando algo sai errado, logo relacionamentos são desmanchados. Por que? Porque o eu é mais forte que o nós. Não há razão para o esforço se eu sou mais importante que o coletivo. As relações amorosas viraram troca, não doação. Pior: muitas vezes trocas injustas.


Nem todos desistem, há muitos que se subjugam, que aceitam um papel secundário. Há aqueles que tem atitudes que podem ser resumidas na frase: “desculpe, você está errado, eu certo, mas você me perdoa?” Há quem ache que é melhor evitar brigas, e aprovam fatos inaceitáveis.

Abdica-se de profissões, sonhos, porque o outro não concorda com tais anseios. Deixa de conviver com certos amigos, porque eles não receberam a aprovação do vassalo. Que não freqüentam certos lugares, apenas os aprovados por ele. Esquecem que um relacionamento deve respeitar a individualidade das pessoas. Claro, ajustes, adaptações são necessárias. Mas nada que beire a nulidade pessoal.

Há mulheres que não tem mais vida própria, apenas aquele espaço circundado pelo marido. Que tem de ir a reuniões chatas, encontros tolos de trabalho, para escutar as mesmas conversas de sempre. As mesmas reclamações que versam, majoritariamente, sobre o trabalho (dele). Troca-se um mundo de possibilidades por uma pessoa.

O medo do fim da relação pode servir de explicação para esse tipo de expediente. Todavia, nem todas são vítimas, há quem aceite com agrado o dominador. Há pessoas que não conseguem viver fora de uma relação. Que pulam de uma para outra. Ao viverem a vida do outro – os amigos dela, são os dele -, viram um acessório a mais. Há a versão superlativa disso: as que agem, na prática, como uma protetora mãe. Uma pessoa assim, quando não estiver numa relação, vai se perguntar “quem eu sou?” e não terá resposta.

Mas o mais duro é que o ditador pode ser o outro, porém muitas vezes a culpa pode ser apenas nossa. Relacionamentos são mutáveis. Você não pode reclamar de domínio, quando você mesmo deixou que se ocupasse espaços seus. Não tem sentido criticar uma pessoa por ela ser mimada, sendo que você alimentou essa postura.

Enfim, podemos até ser ditadores de reinos próprios mas, roubando uma frase de Pablo Neruda, que são governados por “pobres monarcas sem sapatos”.