Não acorda; sonha!

18 06 2006

Um jornal esportivo argentino estampou que os jogadores da seleção brasileira eram “humanos”. Isso porque a seleção falhou no seu intento de mostrar espetáculo. Ou seja, o que nos torna humano, a característica que revela nossa igualdade é o erro, o ato de falhar.

Mas esse texto é para pessoas que vão além. Humano também é sonhar, mas não só. É tentar realizar os sonhos. Os sonhos vêm de noite, mas quem disse que só pode ser assim? É só começar a praticar abrir os olhos. Começa-se mirando o teto. O olho, invariavelmente, não se contenta com a paisagem de concreto. Ele procura uma saída, e a janela mostra que a amplitude do que pode ser visto é muito maior. Aquele “e se…” toma conta dos nossos anseios. Vai-se atrás. Num dia, você já não sabe mais onde começa o sonho e a realidade. O ato de dormir e sonhar não serve mais para vislumbrar o que está por vir; agora ele serve para celebrar as conquistas, reviver emoções. O sonho sonhado encontra o sonho vivido.

Que beleza o atleta de hoje olhar para trás e ver que o sonho do pivete peladeiro era até mais tímido que sua realização. E, no momento da realização, a alegria não é solitária. A corrida, meio desnorteada, procura o abraço dos demais. Nesse momento de alegria compartilhada, ele lembra de onde veio, tenta prestar homenagem a quem o deu apoio. “Pai”, palavra símbolo da felicidade mais almejada, mesmo vindo de outrem. Afinal, uma conquista de um filho é muitas vezes mais valorizada que os feitos próprios. Até porque não se herda apenas genes, os sonhos também passam de geração para geração.

No final, o homem é agora todo menino. Pega a bola, e vai novamente abraçar a todos. Que nem guri depois da pelada. O sorriso bobo, de quem não tem medo de mostrar o seu contentamento consigo, está ali. Mas engana-se quem pudesse ver nisso um ato egoísta. Na verdade, ele tira toda sua responsabilidade sobre o ato, e diz seguidas vezes que é um homem abençoado, sempre foi. Seu esforço fica minimizado, o feito contou com a ajuda do não visível. Deus, sonho… O menino permeia sua vida pelo algo mais, e não pela trivialidade da vida, apesar de seu caminho não ter nada de comum.

Fred, siga nesse rumo. Como escreveu Cecília Meireles, “Não sejas o de hoje. Não suspires por ontens… Não queiras ser o amanhã. Faze-te sem limites no tempo.” Hoje ele não dorme; o sonho veio antes de cerrar os olhos. E esse é o sonho mais almejado.

***

Disseram que o Brasil havia jogado mal porque era o peso da estréia. Uma equipe que joga junto há tempos, ainda sofreria com isso. Uma equipe, aliás, com vários atletas acostumados a participar de decisões, incluindo participações em outras copas. Fred, estreante em copas, que esteve apenas em outros quatro jogos da seleção. Fred, apenas um garoto. Fred, com apenas cinco minutos em campo, fez um gol.





17 06 2006





17 06 2006





Weezer – Make Believe

16 06 2006

“A verdade é que eu não tenho chance/ É algo em que você nasce/ E eu simplesmente não me encaixo/ Não, eu sou apenas um caído idiota sem classe/ E sempre vou ser assim/ É melhor viver minha vida/ E ver as estrelas atuarem”. Você acreditaria nessa letra, sabendo que a pessoa que a escreveu é um roqueiro que tem uma polpuda conta no banco?

E até onde saber o que é ironia ou sinceridade num grupo que ambienta seus vídeos em lugares como a mansão da “Playboy”, cenários do longínquo seriado “Happy days” e dos clássicos, porém infantis, “Muppets”?

Eu acredito no Weezer. Não no grupo em si, mas sim na arte criada por Rivers Cuomo, o vocalista da banda (que o jornalista Arthur Dapieve soube definir bem ao compará-lo a Woody Allen). A letra de “Beverly Hills”, com a qual comecei esse texto, reflete bem o mais recente disco do grupo, “Make Believe”. Há um tom confessional que permeia todo o álbum. Ora novamente sobre o mundo das celebridades, vide “We Are All on Drugs”, ou nos temas pessoais, como “Other Way”. Vale ressaltar que o tom confessional não deve ser confundido com lamúrias. O som do Weezer é para cima, mesmo versando sobre temas “down”. E nisso se destaca a bela “Peace”.

No final das contas, assino embaixo da crítica feita pelo jornal Folha de S. Paulo: “Um disco sincero, com qualidades e com fraquezas, como eu, como você, como Cuomo”.