Nesse primeiro semestre, muito se falou sobre a maturidade de artistas novos. Principalmente cantoras, como Kate Nash, Adele e Duffy. Localmente há Mallu Magalhães. Seriam cantoras que conseguiram notoriedade, mas que ainda são jovens. Em evidência, poderiam não ter o tempo ideal para evoluir.
Para alguns críticos, seu êxito comercial pode não ser também artístico. Pior: a boa acolhida logo em seus trabalhos iniciais não as prepararia para lidar com possíveis fracassos posteriores. Não seria possível evolução quando se começa do topo.
Não raro, a temática de suas canções é a dor, o que aguça a espiação. Em especial, Duffy, que canta o sofrimento em quase todo o seu disco, Rockferry. Seriam artistas que alardeiam dores profundas, mas que não tiveram realmente que lidar com tais emoções?
Para além da música, alguns podem achar que se trata do drama jovem, tornar superlativo o que não tem grande proporção. Desconheço a vida pessoal desses artistas. Todavia, há críticos que são céticos em relação a eles, mas que alardeiam músicos que se deterioram publicamente. São “autênticos”.
De toda forma, existe um período da vida em que se pode versar sobre a dor com a maturidade que alguns apregoam? Algo como uma postura de distanciamento sobre sofrimentos íntimos que muitas vezes não temos, mas esperamos dos outros? É justo cobrar isso, ainda mais se sabendo que a reação ao sofrimento depende de cada pessoa, da sua vivência, criação, sonhos, desilusões etc.?
Ademais, não acredito que aja um desenvolvimento generalizado de cada pessoa, mesmo com o passar da idade. Você pode evoluir em determinado aspecto da vida, mas em outros, não. Ainda mais artisticamente. Pode ser um virtuose do piano, tocar desde cedo. Isso pode fazê-lo ser um grande músico, mas uma pessoa não apta a lidar com as dores do mundo. Ou a música pode ser justamente sua forma de lidar com a dor, expurgar demônios internos.
Na revista Rolling Stone de março desse ano há uma matéria dolorosa sobre Vinícius Gageiro Marques. Artisticamente, Yoñlu. Seu pai afirmou: “Desde cedo, eu percebia que a antena sensível do Vinícius para o mundo também era a fragilidade dele.” Vinícius se suicidou aos 17 anos. Seu pai lançou um álbum póstumo com a obra de Yoñlu.
É interessante notar a utilização do termo maturidade nessas análises, palavra que no dicionário Houaiss tem entre suas definições estado ou condição de pleno desenvolvimento e termo último de desenvolvimento.
Aos 18 anos somos legalmente adultos. Somos de fato?




